Sampa

"É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi /  Da dura poesia concreta de tuas esquinas / Da deselegância discreta de tuas meninas... / E quem vende outro sonho feliz de cidade  / Aprende depressa a chamar-te de realidade /  Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso /  Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas /  Da força da grana que ergue e destrói coisas belas /  Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas / Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços /  Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva /  Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba /  Mais possível novo quilombo de Zumbi /  E os novos baianos passeiam na tua garoa /  E novos baianos te podem curtir numa boa...


Sampa
Caetano Veloso
( Fragment )

No hay comentarios:

Publicar un comentario